sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Atlanta Plus

Durante a exibição da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Barcelona, em 1992, ao perceber que dos 169 países que enviaram atletas para as Olímpiadas de Barcelona, 34 não apresentaram mulheres participantes, o sangue de Annie Surgier ferveu. Surgier, uma física nuclear de uma agência do Governo da França, e outras mulheres idealizaram uma campanha chamada Atlanta Plus contra a barreira de esportistas mulheres. Se alguma delegação olímpica não apresentasse nenhuma competidora do sexo feminino, seria excluída dos Jogos Olímpicos em Atlanta em 1996.

O grupo diz que a discriminação sexual é análoga à discriminação racial que resultou na proibição da África do Sul dos Jogos Olímpicos entre 1964 e 1992. A Carta Olímpica estabelece que "qualquer forma de discriminação em relação a um país ou uma pessoa por razões de raça, religião, política, sexo é incompatível com os princípios do Movimento Olímpico".

"O que está acontecendo não é aceitável e é preciso alertar a opinião pública", disse Annie Surgier, uma das organizadoras da campanha. "Em Barcelona, em 1992, as pessoas estavam celebrando o fim do apartheid e do regresso da África do Sul para os Jogos. Mas ninguém dizia nada sobre os 34 países que não tinham mulheres atletas representando-os.

"É vergonhoso que os organizadores olímpicos concordem com isso."

O protesto, que se denomina Atlanta Plus, conta com apoio de grupos de mulheres de vários países, entre eles França, Bélgica, Alemanha e Suécia. Os organizadores mobilizaram federações desportivas e pressionaram grandes corporações que são patrocinaram os Jogos de Atlanta.

Dos 9959 atletas listados como participantes nas Olimpíadas de 1992, 2851 eram mulheres. As maiores delegações completamente masculinas eram do Irã com 40 atletas, Qatar com 31, o Paquistão com 27 e Kuwait com 36.

O protesto foi duro, mas houve recompensa. Na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Atlanta em 1996 todas as delegações apresentaram mulheres esportistas. A tocha olímpica foi acesa pelo boxeador Muhammad Ali durante a cerimônia de abertura.